
Depois de décadas sendo apenas um sonho distante para os entusiastas brasileiros, a lendária marca britânica Lotus finalmente terá representação oficial no país. Um grupo empresarial brasileiro fechou acordo para comercializar os veículos da marca fundada por Colin Chapman, com estreia prevista entre o final de 2026 e início de 2027.
O Legado de Colin Chapman
Para quem cresceu assistindo Fórmula 1, o nome Lotus evoca memórias inesquecíveis. Foi com um Lotus que Ayrton Senna conquistou suas primeiras vitórias na categoria, e a marca sempre representou o que há de mais puro em termos de engenharia automotiva: leveza, precisão e conexão total entre piloto e máquina.
Desde 2007, a Lotus pertence ao grupo chinês Geely, que também controla a Volvo, Zeekr, Lynk&Co, Smart e Polestar. A chegada da marca ao Brasil faz parte de uma estratégia maior do conglomerado asiático, que já trouxe a própria Geely em parceria com a Renault e prepara a estreia da Lynk&Co ainda em 2026.
Lotus Emira: O Último dos Puristas
A grande notícia para os entusiastas é a confirmação do Lotus Emira como carro-chefe da operação brasileira. Trata-se do último Lotus movido exclusivamente a combustão e o único modelo da marca ainda fabricado na histórica fábrica de Hethel, na Inglaterra.
O Emira foi desenvolvido para brigar diretamente com o Porsche 718 Cayman, que curiosamente já saiu de linha. Com motor central-traseiro e tração traseira, o cupê oferece duas opções de motorização: um quatro cilindros 2.0 turbo de 365 cv, derivado dos Mercedes-AMG, com câmbio de dupla embreagem; ou o glorioso V6 3.5 com compressor de 406 cv, de origem Toyota, que pode ser combinado com câmbio manual para os puristas de carteirinha.
Especificações do Emira:
- Motor 4 cilindros: 2.0 Turbo - 365 cv
- Motor V6: 3.5 Compressor - 406 cv
- 0-100 km/h: 4,3 segundos
- Velocidade Máxima: 290 km/h
- Preço Estimado: ~R$ 1.000.000
A Nova Era: SUVs e Sedãs de 900 cv
Se Colin Chapman pregava a leveza como segredo para o desempenho, a Lotus moderna precisou se adaptar aos novos tempos. Os outros modelos da marca são elétricos fabricados na China, e representam uma ruptura com o mantra original da marca.
O Lotus Eletre é um SUV de mais de 5,10 metros que entrega força bruta em níveis absurdos. Nas versões de topo, são impressionantes 918 cv e mais de 100 kgfm de torque, permitindo acelerar de 0 a 100 km/h em apenas 2,9 segundos.
Uma carta na manga para o mercado brasileiro é a versão EREV (Extended Range Electric Vehicle), recém-anunciada pela marca. Diante da desaceleração global dos elétricos puros, a Lotus equipou o Eletre com um motor 2.0 de 282 cv que atua apenas como gerador, elevando a autonomia para mais de 1.000 km.
Completando a gama, o Lotus Emeya é um "hiper-GT" de quatro portas que utiliza a mesma arquitetura elétrica de 800V do SUV. Posicionado como rival direto do Porsche Taycan, o sedã permite recargas ultrarrápidas e promete redefinir o conceito de grand touring elétrico.
O Que Isso Significa para o Mercado Brasileiro
A chegada da Lotus representa mais uma opção no segmento de esportivos de alto desempenho, que hoje é dominado por Porsche, Ferrari e Lamborghini. Com o Emira posicionado na faixa de R$ 1 milhão, a marca britânica oferece uma alternativa interessante para quem busca exclusividade e pureza de condução.
